Custos recuam no primeiro trimestre - Revista Anamaco

Desempenho industrial

Custos recuam no primeiro trimestre

Texto: Redação Revista Anamaco

No primeiro trimestre do ano, o Indicador de Custos Industriais (ICI), que mensura os custos da indústria de transformação brasileira, registrou queda de 1,0% em comparação ao quarto trimestre de 2023. A pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que o indicador vinha em trajetória de queda há cinco trimestres, mas que foi interrompida por um avanço no último trimestre do ano passado.
De acordo com o estudo, o retorno desse movimento de queda foi causado pelo recuo de dois dos três componentes do ICI: o custo da produção, que caiu 1,4%; e o custo de capital, que registrou queda de 2%. A queda é positiva, pois significa menos custos para o empresário da indústria de transformação. Mas, quando comparamos com o primeiro trimestre de 2020 (antes da pandemia), os empresários industriais ainda enfrentam um cenário de custos elevados para manter profissionais, para conseguir capital de giro e para continuar produzindo”, explica Paula Verlangeiro, economista da CNI.
O levantamento mostra que o Indicador de Custos Industriais do primeiro trimestre de 2024 está 28,8%, acima do patamar pré-pandemia. Nesse cenário, o índice de custo com capital caiu 2% no primeiro trimestre. Com isso, registrou queda pelo quarto trimestre seguido. Esse foi o componente do ICI que mais recuou no período e é reflexo das quedas da taxa Selic, que sofreu seis cortes consecutivos de 0,5 ponto percentual de agosto de 2023 a março de 2024.
Já o índice que mensura o custo com a produção industrial retraiu 1,4%, após ter apresentado alta no quarto trimestre de 2023. Ao analisar os três componentes do custo com produção, dois deles apresentaram queda enquanto um apresentou alta no primeiro trimestre.
O componente custo com pessoal, por sua vez, recuou 3,5%, movimento típico para o período, e foi o que mais contribuiu para a queda do índice de custo com produção. Essa diminuição foi puxada pela queda de 3% da massa salarial no início do ano, enquanto o emprego avançou 0,5% no primeiro trimestre.
A pesquisa mostra, ainda, que os custos com bens intermediários caíram 1% devido à queda, em mesma magnitude, tanto do custo com bens intermediários nacionais como também dos custos com bens intermediários importados.
Por último, o componente de custo com energia foi o único que subiu no trimestre, com elevação de 2,1%. Foi registrada alta de 3,1% no custo com energia elétrica, avanço de 0,6% para óleo combustível e aumento de 2% do custo com gás natural.
Já o custo tributário, mensurado pela soma dos tributos federais e estaduais pagos pela indústria divididos pelo PIB industrial, avançou 1,7% no primeiro trimestre em relação ao quarto trimestre de 2023.
Nesse período, segundo a economista, é normal observar a arrecadação menor devido a fatores sazonais, como férias coletivas e desaceleração de negócios após o fim do ano. Esses fatores contribuem para uma atividade econômica menor no primeiro trimestre, com geração de receitas reduzida, o que afeta a arrecadação de impostos. “No entanto, como a queda do PIB industrial foi maior que a queda dos tributos totais, o indicador aumentou na comparação entre o quarto trimestre de 2023 e o primeiro trimestre de 2024”, justifica.

Foto: Adobe Stock

 

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