Endividamento avança - Revista Anamaco

Endividamento e inadimplência

Endividamento avança

Texto: Redação Revista Anamaco

A Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), mostra que o  percentual de famílias que relataram ter dívidas a vencer (cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, crédito consignado, empréstimo pessoal, cheque pré-datado e prestações de carro e casa) voltou a avançar, após duas quedas consecutivas, alcançando 76,4% em fevereiro, ainda abaixo do resultado de fevereiro do ano passado (77,9%).
Além desse aumento, o mês apresentou um fator preocupante na percepção de endividamento, com o terceiro incremento seguido do percentual de pessoas que se consideram “muito endividadas” alcançando 16,1%, o que representa o maior nível desde setembro de 2024.
O maior endividamento, entretanto, não é considerado totalmente prejudicial porque foi acompanhado por uma redução de 0,5 ponto percentual nas dívidas em atraso de famílias, que correspondeu a 28,6% das endividadas, o terceiro recuo consecutivo. Já o percentual de famílias que não terão condições de pagar as dívidas em atraso continuou sua tendência de queda, indo para 12,3%. No entanto, ambos os indicadores ainda permanecem acima do apresentado em igual mês do ano passado.
Além de terem menos contas atrasadas, os consumidores estão conseguindo reduzir o tempo para ficarem em dia com suas dívidas. De acordo com o estudo, o percentual de famílias com dívidas em atraso por mais de 90 dias vem recuando há quatro meses, chegando a 48,2% do total de endividados em fevereiro, o menor indicador desde julho de 2024.
Na análise da entidade, outro fator positivo é que o percentual dos consumidores que têm mais da metade dos rendimentos comprometidos com dívidas também apresentou redução, atingindo 20,5%, o menor percentual desde novembro de 2024. Com isso, o percentual médio de comprometimento da renda com dívidas foi de 29,9% em fevereiro.
Um quesito preocupante esse mês foi a redução dos prazos para arcar com suas contas. Tanto que o percentual de famílias comprometidas com dívidas por mais de um ano continuou em queda, alcançando 35,2%, o menor percentual desde setembro de 2024, enquanto houve aumento no comprometimento entre três meses e um ano, mostrando que o endividamento está sendo cada vez mais de curto e médio prazos.
Nesse cenário, o cartão de crédito continuou tendo a maior participação no volume de endividados no mês, sendo utilizado por 83,8% do total de devedores; contudo, houve retração de 3,1 p.p. na comparação com fevereiro de 2024. A categoria de carnês se destacou em fevereiro, com aumento de 1,1 p.p. na comparação anual, permanecendo como a segunda categoria mais utilizada, estando 6,5 p.p. acima da terceira categoria, crédito pessoal.
Segundo a CNC, o aumento da procura pelo crédito pessoal pode ser atribuído a uma elevação em menor grau nas taxas de juros dessa modalidade, que avançou 3,7 p.p., enquanto a taxa do crédito pessoal consignado aumentou 21,9 p.p.
Na análise por renda, a pesquisa revela que, na comparação mensal, o aumento do endividamento ocorreu na maioria das famílias, principalmente entre aquelas que recebem entre cinco e 10 salários mínimos (+1,1 p.p.), tendo maior capacidade de arcar com os juros mais altos.
Em relação à redução da inadimplência, o percentual de famílias com dívidas em atraso reduziu, sobretudo, entre os consumidores com renda até três salários. Esse mesmo grupo se destacou no recuo daqueles que não terão condições de pagar essas dívidas.

Foto: Adobe Stock

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