Esquema financeiro fraudulento causa prejuízo de R$ 800 milhões ao comércio - Revista Anamaco

Fraude no comércio

Esquema financeiro fraudulento causa prejuízo de R$ 800 milhões ao comércio

Texto: Redação Revista Anamaco

Uma promessa de benefícios vantajosos ao comércio - inclusive ao varejo de material de construção - foi a isca lançada pela InovePay (I9Pay ou Inove Banco) para conquistar a confiança dos lojistas de diversos setores para que contratassem os serviços oferecidos pela instituição.
O que era para ser um benefício, tornou-se uma dor de cabeça e, mais do que isso, resultou em prejuízos que ultrapassam R$ 800 milhões a mais de 2.600 estabelecimentos comerciais de diversos segmentos em várias partes do País.
Rodrigo Nandi, presidente da Federação das Associações dos Comerciantes de Materiais de Construção de Santa Catarina (Fecomac-SC), lembra que, no varejo de material de construção, a relação com a InovePay teve início na Feicon do ano passado. Na ocasião, uma série de benefícios foi apresentada às entidades do setor, cuja proposta envolvia a oferta de máquinas de cartão com taxas atrativas para os lojistas associados.
Segundo ele, poucos meses depois do primeiro contato e com a parceria em curso, a entidade foi surpreendida, em agosto, quando lojistas relataram que não conseguiam acessar o portal da operadora de cartão e que as informações haviam desaparecido.
Desde então, Nandi diz que tem se reunido com representantes de onze Associações de Comerciantes de Material de Construção (Acomacs) dos Estados de Santa Catarina, Espírito Santo, Minas Gerais e Paraná para buscar soluções e minimizar os prejuízos aos associados.  “Esse setor é, particularmente, afetado por trabalhar com valores altos e prazos longos de parcelamento. Imagine uma venda de R$ 1 milhão parcelada em 10 vezes: no primeiro mês, o lojista deveria receber R$ 100 mil, enquanto os R$ 900 mil restantes ficam para pagamento futuro. Alguns lojistas que optaram pela modalidade de recebimento d+2 obterão uma parte do valor, mas precisarão pagar taxas adicionais. Para esses, o InovePay, inicialmente, parecia ser uma boa solução. No entanto, muitos outros estão enfrentando sérias dificuldades”, lamenta.
Cassio Tucunduva, presidente da Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção (Anamaco) diz que vê a situação com preocupação. Ele destaca que, embora não seja um acordo firmado entre a Anamaco e a Inove Banco, essa situação está prejudicando lojistas associados. “Estamos tentando agendar uma reunião, em que estarei presente, com autoridades do Poder Judiciário para nos apresentar e podermos explicar como foi a aproximação dessa empresa com os revendedores”, explica.
Júlio João Pereira, diretor-geral da Anamaco, frisa que a situação é bem difícil, que envolveu lojas das regiões Sul e Sudeste. Segundo ele, há empresas que chegaram a perder R$ 5 milhões. “A Anamaco está inteiramente à disposição para ajudar em tudo o que for possível, embora o convênio não tenha partido da entidade. Estamos acompanhando de perto porque temos interesse na resolução desse imbróglio o mais cedo possível”, garante Pereira.
Batizada de Concierge, a operação deflagrada em agosto de 2024, levou para a prisão Patrick Bezerra Burnett, fundador da InovePay e acusado de liderar a operação.
O esquema financeiro, que levou ao bloqueio das atividades da InovePay, revelou uma rede de operações financeiras irregulares, levantando suspeitas de gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro, crime organizado e operações similares a uma pirâmide financeira.

Foto: Adobe Stock

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