Famílias pessimistas
Texto: Redação Revista Anamaco
O Índice de Intenção de Consumo das Famílias (ICF), calculado pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), de fevereiro, que reflete a percepção e a intenção de consumo no comparativo mensal, registrou queda de 3,9% em relação ao mesmo período de 2024, atingindo 109,8 pontos.
Embora os índices permaneçam acima da linha de pessimismo (100 pontos) - a escala de pontuação varia de 0 (pessimismo total) a 200 pontos (otimismo total) -, essa retração anual indica uma deterioração no sentimento das famílias em relação ao consumo a longo prazo.
De acordo com a Federação, os resultados podem ser atribuídos à política monetária restritiva adotada pelo Banco Central do Brasil, que elevou a taxa Selic para 13,25% em janeiro de 2025 - postura que tem o objetivo de combater a inflação, que atingiu 4,56% em janeiro, com previsão de alcançar 5,2% em 2025. Intervenções cambiais ajudaram a valorizar o Real, o que pode aliviar pressões inflacionárias sobre produtos importados.
Além disso, o ICF é influenciado por fatores sazonais, como os gastos com IPVA, IPTU, matrícula e material escolar, e a elevação dos juros vem potencializando os resultados negativos.
Os componentes do ICF que se mantiveram estáveis são Perspectiva Profissional (0,5%) e Renda Atual (1,2%), mostrando uma percepção mais positiva em relação à renda e às oportunidades profissionais. No entanto, os demais itens registraram resultados negativos no comparativo interanual.
A pesquisa revela que as famílias com renda até 10 salários mínimos apresentaram queda de 4,8%, atingindo 106 pontos. As maiores reduções foram observadas em Momento para Duráveis (-10,5%), Nível de Consumo Atual (-11,3%), Perspectiva de Consumo (-9,2%) e Acesso a Crédito (-9%), demonstrando maior vulnerabilidade.
Também demonstraram pessimismo, as famílias com renda superior a 10 salários mínimos, com o indicador registrando recuo de 1,6% (121 pontos) em comparação a fevereiro de 2024, e de 2,4% em relação a janeiro de 2025. Embora menos dependentes de crédito e com maior capacidade de poupança, essas famílias mostram-se incertas quanto ao cenário econômico de longo prazo.
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